segunda-feira , março 18 2019
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Roberto Maciel – O fotógrafo não fotógrafo

Roberto Maciel - Sou Fotógrafo

A entrevista dessa vez é com um Fotógrafo carioca, apaixonado por sua cidade. Fui apresentado a ele por um amigo em comum e que disse que teríamos muito sobre o que falar. De fato foi isto. Gosto muito das imagens criadas por ele e do seu olhar da cidade Maravilhosa. Em um primeiro momento ele se mostrou relutante por achar que não teria muito o que agregar ao blog, mas quando descreveu sua história eu disse: Mas é isto que queremos, isto é o real valor de ser fotógrafo, criar imagens, passar por situações, ter vivido experiências. Espero que gostem e apreciem o trabalho de Roberto Maciel. Segue abaixo o texto gerado pelas perguntas enviadas para a entrevista.

Fotografia para mim é hobby puro. Faço alguns trabalhos profissionais porque muitas pessoas conhecidas gostam das minhas fotos e pedem para eu fotografar. Claro que me sinto lisonjeado e acabo indo mais pela insistência.
Porém, tenho muito o que aprender ainda em fotografia, principalmente agora, que depois de aposentado decidi comprar uma máquina profissional digital e voltar a me dedicar às fotos.
Quando jovem tinha estúdio e laboratório. Acho que gostava mais do laboratório do que das fotos, pois passava horas lá dentro trabalhando com os ampliadores e a química, inventando efeito nas fotos.

Roberto Maciel Parque flamengo Sou fotografo
Roberto Maciel Parque Flamengo

Trabalhei uma época como fotógrafo da Secretaria do Patrimônio Histórico e


Cultural do RJ. Certa ocasião o Superintendente de lá me encomendou uma exposição sobre “A história da caricatura no Brasil”. Eles tinham um acervo fantástico de jornais e revistas como “Fon Fon” e “Careta”, ambas do início do século XX e sempre recheadas de caricaturas. A exposição ocorreu no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.
Fotografava as imagens dessas revistas com uma câmera de fole Mamiya, presa a uma bancada com várias luminárias ao redor, usando negativos 4×5 polegadas. A imagem era perfeita, mas muitas vezes o original não ajudava. Para corrigir isso eu retocava as fotos com química aplicada com pincel diretamente na foto já impressa, para rebaixar pontos, riscos ou faixas negras de originais danificados pelo tempo, para se chegar o máximo possível aquela que seria a imagem original. Raramente era necessário retocar alguma área branca.
Até mesmo na impressão da foto era preciso trabalhar a imagem, no momento em que era projetada pelo ampliador no papel fotográfico, usando as mãos ou algum material escuro, sempre em movimento, sobre as áreas estouradas dos negativos, para não borrar a foto no papel e minimizar o trabalho posterior de retoque.

Roberto Maciel Cristo Rio Sou fotografo
Roberto Maciel Cristo Rio

Ainda pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Cultural do RJ realizei uma outra exposição sobre as gravuras de Debret. Usando as mesmas técnicas fotografei a coleção completa dessas gravuras, que pertenciam ao acervo do Patrimônio e se encontravam em excelente estado de conservação.
Tive acesso a todos os originais das gravuras de Debret e os reproduzi em P&B, para fazer a exposição.
Participei também de concursos de fotos, mas por esporte mesmo, sem pretensão alguma de ser merecedor de prêmios. Saia pelo Rio a fotografar pessoas e tudo o que via pela frente na Central do Brasil, nas barcas Rio-Niterói, nas ruas e em qualquer lugar.
Foi um tempo muito bacana em que eu “respirava” fotografia todos os dias.
Mas, como a fotografia não dava o sustento que precisava tive que trocá-la por um trabalho mais seguro e com retorno financeiro garantido.
Agora, com a minha vida de aposentado, decidi retornar à fotografia.
E aí é necessário reaprender. As câmeras mudaram, hoje são digitais com recursos inimagináveis na minha época, em que você só via o resultado do seu trabalho depois que a fotografia estava revelada.
E como diz toda cartilha da fotografia, você precisa fotografar, fotografar, fotografar e criticar sempre o seu trabalho para evoluir.
E tem sido assim: pego a minha câmera e vou a luta fotografando tudo. Muita coisa que faço eu mesmo não gosto, outras até acho que ficaram interessantes. O problema é que sou muito crítico de mim mesmo.
Fotografo tudo mas tenho as minhas preferências: cidades históricas, monumentos históricos, prédios e arquitetura histórica. Sou um apaixonado.
O Rio antigo me fascina. Quando estive com as gravuras de Debret eu vibrei muito porque ele falava com as suas gravuras. O povo, os costumes, o comércio, enfim, tudo da época foi retratado por ele.

Antigo paiol Roberto Maciel - Sou fotografo
Antigo paiol Roberto Maciel

Para mim seu sucessor foi um fotógrafo que admiro muito, justamente por ter, também, retratado o Rio como poucos, no início do século XX: Augusto Malta. Sabemos hoje como era o Rio de Janeiro, os moradores, comércio, serviços de um modo geral, os costumes e a arquitetura, graças a ele.
No mais tenho lido bastante sobre fotografia, adquirido livros e revistas e saindo para fotografar. Aliás, por via das dúvidas e para não ser pego de surpresa, coloquei a minha câmera no seguro.
E vai ser dessa forma, fotografando sempre e cada vez mais, que irei aperfeiçoar esse meu hobby, que considero fascinante.
Abraço,
Roberto Maciel

Fotógrafo amador e atento ao redor. Gosto muito de olhar e observar tudo que rola. Analista de SEO e adorador da apple e da Internet. Mardem Reifison Google

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