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Alexandre Militão – Entrevista Fantástica

 stamaria1lugar Alexandre Militão - Sou Fotografo
Foto Classificada em primeiro lugar no “Concurso Fotográfico de Santa Maria, RS” 2011

Este é um post que dispensa apresentações. Ao longo das semanas venho trazendo entrevistas com diversos Fotógrafos.  Esta entrevista com Alexandre Militão vem sendo contruída tem algumas semanas também. Me deu muito prazer ler o texto e trocar e-mails com ele, pois é uma pessoa extremamente atenciosa e que se dedicou de forma ímpar para a produção do texto. Gosto muito do material produzido por ele, especialmente os PBs.   Espero que gostem.

Alexandre Militão – Minha história:
A primeira coisa que falei foi luz, antes mesmo de falar mãe. Meus pais me contam que eu vivia atrás dos fotógrafos nas festas e comecei muito cedo a brincar com as cameras do meu pai.
Fotografei muito com uma Hobiflex 6×6 (chinesa dos anos 50, imitação da Rollei ) que eu mesmo desmontava para regular o foco que vivia saindo do ponto…
Minha primeira reflex foi uma Praktica MTL3 com a qual fiz meus primeiros trabalhos de fotografia em 1980 para a minicentro propaganda. Em 1981, com essa experiência e um estágio na Gráfica Ideal, fui aprovado em concurso para o cargo de Fotografo Gráfico no Banco do Brasil, onde fazia fotolitos operando fotomecânicas. Montei nessa época um laboratório comercial  no Ed. Rádio Center que abriu para fazer fototraços e virou um estúdio publicitário. Ainda no Rádio Center nessa época, trabalhei no laboratório da Ágil Fotojornalismo.
Antes de ser assistente, fui laboratorista em algumas agencias de propaganda, a primeira foi a APP.  O laboratorista é o assistente natural do fotógrafo da vez. Nessa época as agências de Brasília viviam trocando o fotógrafo, aprendi a fotografar ofertas de varejo com Evandro França na antiga Know How propaganda, hoje em dia muitos clientes fotografam eles mesmos o que antigamente era uma loucura 200 ofertas de fim de semana, tudo em preto e branco e sempre sobrava pro laboratorista, claro…
Eu tive meu laboratório em parceria com um estúdio de produção o Eugênio Estudio, no Rádio Center na época em que a Legiao Urbana e outras bandas de rock ensaiavam por lá.
Depois fui assistente sim…do Peninha, no próprio ed. Radio Center.  Peninha era o top da publicidade em Brasilia nos anos 80, acabou crescendo tanto que mudamos pro galpão da hoje produtora Fábrika, Ficava em frente a gráfica do Banco do Brasil onde eu trabalhava na época. Essas atividades eram muito importantes para o aprendizado de equipamentos que praticamente não existiam no brasil. Loja só aquelas de São Paulo e tudo muito caro.
Fotografia gráfica era na verdade laboratório fotográfico numa escala quase industrial revelando filmes gigantes. Embora houvesse uma processadora para a maior parte do serviço, eu sempre era procurado para resolver algum fotolito mais complicado com máscaras ou com o efeito flash. Me especializei na época inclusive com curso na Gráfica Lastri em São Paulo, um ícone de qualidade da época.
Durante o período em que trabalhei na publicidade do Banco do Brasil, participei de produções com muitos fotógrafos como o  Hamdan e o J.R Duran. Em São Paulo fiz produções para o BB com diversos fotógrafos como Manolo Moran, Felipe Hellmeister bem como filmes em produtoras como Conspiração, Gorila filmes e outras.


Iniciei no Banco do Brasil nos anos 80, como fotógrafo gráfico fazendo fotolitos na gráfica de Brasília. Com o tempo fui fazendo fotos para o Boletim Interno, fui transferido para a área de treinamento, ilustrei apostilas e no auge da carreira o poeta Mario Quintana fez poemas para as minhas fotos no Relatório anual de 1993, após o grande sucesso do Relatório de 91 com o tema Floresta da Tijuca. Além de relatórios, fiz também anúncios publicados em todos os jornais e revistas, até na extinta revista Manchete,  como o  anúncio de lançamento do primeiro cartão de crédito no país, o Ourocard. Ainda no Banco do Brasil, trabalhei na TVBB  como câmera e cinegrafista.Dirigi fotografia em vídeos de treinamento tendo participado do projeto do estúdio da TV.
Produzimos o relatório anual do bb de 1993 com o tema água. Nessa época não tinha esse apelo ecológico de hoje era uma previsáo de futuro. O tema água abordava atividades econômicas do banco como o turismo, o transporte maritimo de carga, a criação de peixes em laboratório, a pesca comercial, a restauracao, etc…
Depois de viajarmos o país de norte a sul tinhamos um material belissimo todo em cromos fuji, feitos numa hasselblad com chassi 6×4,5. O poeta passava por dificuldades de saúde e o banco o contratou para criar os poemas. Os poemas recentemente foram publicados pela família, que é o livro água, porém as fotos só foram publicadas no Relatório Anual do BB. Nessa época as empresas concorriam a prêmios com seus belos relatórios. As fotos estáo em http://www.alexandremilitao.com/mq.html. O legal nessa época é que os cromos não eram manipuldos digitalmente….produzíamos realmente a jangada com o logotipo do banco e outros cuidados antes de fotografar.

Paralelamente a esse trabalho, sempre mantive meu estúdio que antes era mais voltado a publicidade e agora com um foco mais em pessoas.
Com as terceirizações no Banco do Brasil, busquei novos mercados e em 1995 me mudei para a California onde trabalhei no Jornal local de Three Rivers. Trabalhei também em uma produtora de Santa Monica fotografando locações. Scouting Location, o nome da função…. eu achava as locações para grandes fotografos de Hollywood e Europa clicarem. Tenho uma carta de recomendaçao de cada uma das duas empresas.
A minha experiência como fotógrafo no exterior foi muito difícil. Nas empresas de comunicação acham que vc como imigrante deveria trabalhar em restaurante ou limpeza. Diversos potenciais empregadores afirmaram que empregariam somente fotógrafos americanos nos Eua e italianos na Itália. Cheguei a ter green card nos eua e no dia que o recebi fui demitido do jornal onde trabalhava, a partir de então só prestava serviço como free lancer, nesse momento o dono do jornal me deu uma carta de recomendação que chegou a me ajudar bastante e a partir de então outros potenciais empregadores me deram alguns freelas. Tenho um site com fotos minhas desta época no ar até hoje www.lake-elowin.com de Three Rivers, California.

Em 1998, retornando ao Brasil, dei aula de fotografia I na UnB, no Instituto de Artes e fiz a exposição que foi amplamente divulgada na época California, Sticks and Stones, na Casa Thomas Jefferson e no Senado Federal.
Com a transição para o digital, foquei em um trabalho mais autoral e venho sendo premiado e selecionado em concursos de destaque, como o Prëmio Pierre Verger que fui selecionado e o Le Plus Grand Concours PHOTO du monde em 2011 e 2012 respectivamente. Participo do acervo da galeria Arte Referência em São Paulo e já estamos em nossa segunda exposição, com bastante sucesso. Para contatos mantenho o site http://www.alexandremilitao.com e sempre publico em minha página de negócios no Facebook “Alexandre Militão – Fotógrafo“.

O longo dos e-mails perguntei sobre o trabalho com os Kalungas, eis a resposta:
Acho o fato dos Kalungas terem ficados isolados do mundo moderno durante tanto tempo uma das histórias mais  incríveis do nosso país. Passa pelos tempos do império, escravidão, fuga, isolamento, dificuldades. Me impressiona a vida primitiva tão perto da capital da República. Consegui ser aceito em alguns grupos Kalungas e consegui documentar algumas fases da vida desse povo sofrido. Este ano consegui fotografar a colheita de arroz, mas sempre que posso vou as festas ou simplesmente acampo próximo a uma residência e acompanho seu dia a dia.
Sempre retorno tentando ajudar nas necessidades imediatas e distribuindo as fotos que contribuem com a identidade Kalunga. São vaidosos e tentam acompanhar o que vêem nas cidades, agora ganharam o mundo mas sempre retornam a suas origens no nordeste goiano.

Equipamento:
Acumulei tanta coisa. Ainda tenho Cameras de filme  de pequeno, médio e grande formato, bem como laboratório preto e branco completíssimo. Preparo químicas à moda antiga com um formulário fotográfico e químicas a granel. Há um ano mais ou menos fiz cópias de um material que o digital não me satisfez.
No pequeno formato, sempre usei Nikon e assim continuei no digital. Já usei muita lente antiga em corpo digital. Tenho uma iluminação de flashes e alguma coisa de luz contínua. Uso frequentemente mesa de reprodução e já adaptei diversos equipamentos.
Gosto de usar filtros e acessórios diversos para dar um diferencial ao meu trabalho. Recentemente investi em uma cabeça para panorâmicas.
Aplico no digital as técnicas que usava em filme, adaptando-as e aproveitando do controle do resultado que o digital permite.

Ramo:
Trabalhei com fotografia publiciária e venho de um ramo da fotografia técnica, reproduçoes de arte, fotolitos, esculturas e produtos.
Tenho feito trabalhos autorais e sempre que posso faço viagens para escalar montanhas, meus objetivos são mais fotográficos do que de montanhista, embora já tenha feito dois cumes de 6000 totalmente solo e diversos de 5 mil, sozinho ou com amigos.
Gosto de fotografar de tudo. Gosto do trabalho de estúdio assim como gosto de externas, sejam produções ou lugares exóticos.
Gosto muito de fotografar pessoas e em especial mulheres. Executo trabalhos técnicos de reprodução tanto de originais opacos, obras de arte ou negativos e cromos. Busco conciliar o lado comercial com os meus próprios interesses.
Minhas referências fotográficas mais fortes são Helmut Newton e Ansel Adams…. sempre tive esse gosto eclético…Lógico que gosto de muitos outros….Herb Ritts, Avedon, Annie Leibowitz. No Brasil sou fã incondicional do Hamdan, Mestre e Mago do Studio H e seus mais de 30 anos de Coca-Cola e fotografia de primeira linha.
Entre as coisas que gostaria de fazer, seria a Direção de Fotografia de um longa metragem. Tive experiência semelhante nos tempos da TV BB onde produzíamos vídeos de treinamento e documentários.

Fotógrafo amador e atento ao redor. Gosto muito de olhar e observar tudo que rola. Analista de SEO e adorador da apple e da Internet. Mardem Reifison Google

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